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Edifício de Apoio à 3ª Idade

O Centro de Apoio à 3ª Idade do Laranjeiro, inaugurado em Setembro de 2000, foi um projecto ambicioso, restringido em parte pela contenção dos custos, mas que cumpriu integralmente o programa exigente da Segurança Social para este tipo de equipamentos. Um pequeno lote com uma área livre e vista sobre Almada e o Tejo transformou-se num espaço de esperança e lazer, num direito justo de uma geração que na maioria dos casos não se consegue adaptar ao bulício das cidades.

É interessante o modo como surge esta oportunidade: O professor Godinho Director da escola e creche do Laranjeiro, propôs-nos um grande desafio, projectar um lar de terceira idade mas, que fosse também a sua futura casa.

O ponto de partida para o projecto teve um impulso sobretudo social, em grande parte devido a polémicas relacionadas com os lares existentes, despertando deste modo uma especial atenção para a qualidade social dos idosos. Este foi o princípio gerador do espaço, pensar um lugar que acrescentasse socialmente qualquer coisa de novo.

Realizou-se uma  investigação em torno da problemática dos lares e a origem estatística  das pessoas do Laranjeiro que provavelmente constituiriam os utilizadores futuros deste espaço.

Estes factores condicionam a lógica do projecto. Assim, a nossa preocupação na criação do espaço, independentemente das necessidades e obrigatoriedades constantes na lei, foi recorrer a reminiscências da arquitectura tradicional alentejana.

Ao analisarmos essa arquitectura e colocando-a em confronto com a arquitectura contemporânea, apercebemo-nos da consonância entre as linguagens. Deste modo, o edifício parte de uma ideia fundamental, a relação entre interior / exterior.

Portugal é um país atlântico mas, tem uma forte influência mediterrânica, ou seja, árabe. As casas tradicionais do sul, contrariamente às nórdicas, não tem grandes vãos, pelo contrário, pequenas aberturas protegem o interior dos excessos de sol e o espaço é labiríntico e por vezes complexo. O lar reinterpreta esta linguagem formal com uma série de compartimentos, onde o pátio desempenha uma função primordial como elemento de distribuição de todo espaço, tal como na casa tradicional árabe. Os vãos têm dimensões reduzidas e por exemplo a fachada principal despojada denuncia apenas um único vão e a entrada para o pátio. Aqui existe também uma evocação a fortes e fortalezas portuguesas.

O terreno foi igualmente um factor determinante, cedido pela Câmara Municipal de Almada à cooperativa de ensino Misto do Laranjeiro. A preocupação com orientações estava condicionada por questões urbanísticas. O edifício aproveitou a encosta através de socalcos e a partir deste pressuposto, interpretando o terreno como um espaço escalonado, orientou-se o edifício para as vistas sobre o Cristo Rei e a cidade de Almada.

Tendo em conta este princípio, o lar de 3ª idade abre grandes vãos rasgados  para norte, ao contrario do que seria de esperar, privilegiando as vistas a partir do interior. Contrariamente, a empena a sul é a mais protegida, onde a “muralha” cumpre também um papel de defesa contra o aspecto suburbano do Laranjeiro, como se um dia o lar pudesse sobreviver à destruição, por ser voltado para dentro, tal como as construções árabes com o universo interior independente do exterior.

Os quartos foram orientados a nascente, por ser fundamental ao metabolismo do corpo humano e as zonas de estar viradas ao sol da tarde. Estes princípios estão escritos desde Vitrúvio, e são a base de qualquer construção, mas por vezes são esquecidos.

De um ponto de vista formal, o lar é composto por dois volumes independentes, um vermelho e outro azul, praticamente como se fossem dois edifícios justapostos, em que um é a zona de noite, mais exíguo, com quartos de reduzidas, o outro a zona de dia que privilegia as áreas sociais como o refeitório e sala de convívio.

Exteriormente as opções cromáticas também são o reflexo dessa vivência, o vermelho é o momento  máximo, a energia necessária para o convívio diurno e o azul a zona do retiro, mais contida, mais calma, onde os vãos das janelas são extremamente regulares, demonstrando o silêncio necessário para a noite.

Mas também é verdade que a lição da arquitectura moderna foi determinante, na evocação expressiva entre duas cores primárias, muito neoplasticista. Recorda as pinturas de Piet Mondrain e arquitecturas de Gerrit Rietveld, é o caminho para o purismo, com uma forte tensão entre volumes.

Este destaque cromático exterior esconde um interior completamente diferente, com cores regradas por normas de higiene e segurança, neutras e assépticas. Uma simplicidade que tem continuidade na escolha dos materiais. Nas áreas privadas recorreu-se a madeiras comuns, como o mogno, nos corredores e áreas sociais surgem pavimentos antiderrapantes à base de ABS, que permitem segurança e higiene, regularizando o espaço para uma caminhada confortável.

(…)

in memória descritiva

Localização:

Larangeiro, Almada

Ano:

2001

Arquitetura:

Nuno Ladeiro / Rafael Azriel

Categoria

Arquitetura

Tags:

Contemporâneo, Cultura