logo
A powerful architecture & Construction theme. Construct your website in the perfect Ratio.
Alienum phaedrum torquatos nec eu, vis detraxit periculis ex, nihil expetendis in mei. Mei an pericula

Blog

Arquitetura & Design / blog  / Le Corbusier, o mais influente arquiteto do século XX
Villa Savoye

Le Corbusier, o mais influente arquiteto do século XX

A Villa Savoye, maison Savoye ou simplesmente residência Savoye é uma casa que fica em França,  na Rue de Villiers, em Poissy. O projeto de 1928, do arquiteto franco-suíço Charles-Edouard Jeanneret-Gris, que adotou o nome Le Corbusier, é considerado um dos ícones maiores da arquitetura moderna no século XX.

Le Corbusier foi sem dúvida um dos arquitetos mais marcantes da história da arquitetura moderna. Trabalhou em 1908 com Josef Hoffmann no Wiener Werkstatte. Nesse ano também trabalhou com Tony Garnier em Lyon e Henri Sauvage em Paris. Foi aprendiz no gabinete Perret, onde tomou contacto com a tecnologia do betão armado. Interessou-se pelo tema da produção industrial e conheceu Walter Gropius. Em 1918, regressou a Paris e conheceu o pintor Amédée Ozenfant, com quem desenvolveu um estilo de pintura denominado Purismo. Nesse ano escreveu o manifesto Après le cubisme, le purisme. Adotou o pseudónimo “Le Corbusier” (originário de um Corvo) enquanto autor a partir de 1920, enquanto arquiteto a partir de 1922 e como pintor a partir de 1928. Escreveu o livro Vers une Architecture em 1923 e uma coleção de artigos para a revista L’Esprit Nouveau. A partir de 1921, em conjunto com o seu tio Pierre Jeanneret trabalhou no seu gabinete de arquitetura em Paris. Projetou o pavilhão L’Esprit Nouveau para a exposição de artes decorativas de paris em 1925. Em 1927 começou a projetar mobiliário em tubo de ferro curvado, em conjunto com Jeanneret e Charlotte Perriand, que foi sua estudante de arquitectura. A partir de 1930 concentrou a sua atividade na arquitetura e planeamento, e em 1950, alterou o seu estilo e forma de pensar, passando do formalismo da fase inicial (estilo internacional), para uma maior expressividade formal, com destaque para a igreja de Notre Dame-du-Haut, Ronchamp, uma das suas obras mais emblemáticas.

 

Villa savoye.

Villa savoye. Interior com superfície de vidro curva e escada de acesso ao piso superior.

Le Corbusier, escreveu um dos livros mais influentes sobre arquitetura do século XX, Vers Une Architecture, no qual estabeleceu uma relação formal entre as formas da arquitetura industrial com  as formas da arquitetura moderna. Para Le Corbusier,  as formas harmoniosas e ordenadas dos Silos Pioneer Steel da cidade de Buffalo nos Estados Unidos da América, com os seus dezasseis depósitos cilíndricos, distribuídos em duas filas paralelas, exibem a sua volumetria completamente pura e básica. A cor pura dos Silos destaca a forma sobre o verde da erva circundante ou no Inverno da neve branca. ” As formas primárias são as formas belas porque se leem claramente. Os arquitetos de hoje não realizam mais as formas simples. Operando com o cálculo, os engenheiros usam formas geométricas, que satisfazem nossos olhos pela geometria e nosso espírito pela matemática; suas obras são o caminho da grande arte”. Le Corbusier. (2002) Por uma arquitectura, Ed. Perspectiva 6.ª edição.

 

Villa Savoye

Villa Savoye. Escada de acesso ao piso superior.

A era industrial constitui um registo metafórico, tanto na arquitetura como na primeira fase da produção do design da Bauhaus. As formas básicas que emergem da arquitetura industrial foram uma consequência lógica da técnica e contribuíram para a aproximação ao tema da forma pura e funcional. Os arquitetos europeus do princípio do século XX concretizaram os objetivos iniciados pelos engenheiros americanos. Aprenderam com a construção industrial americana e aplicaram métodos de engenharia a edifícios e objetos, projetando e concebendo os novos princípios funcionais da engenharia e associando-os a conceitos modernos da estética. A Villa Savoye de Le Corbusier, é a expressão máxima deste conceito, pelas suas formas puras e básicas da arquitetura.

Villa Savoye

Escada de acesso ao piso superior da Villa Savoye.

A aplicação da ideologia da era da mecanização ao projeto de casas, edifícios públicos, escolas, fábricas e ainda aos objetos do quotidiano, fez com que os arquitetos europeus do Movimento Moderno insistissem na ideia de que a forma deveria seguir a função. Associaram a estética à eficiência, precisão, simplicidade, regularidade e funcionalidade na produção de objetos belos e úteis, no projeto de edifícios e artefactos que se assemelhassem a máquinas e fossem usados como máquinas. A tríade “unidade, ordem, pureza” deveria guiar qualquer projeto, desde a edificação, ao mobiliário e ainda à pintura. A forma simples passou a ser suprema: “less is more” foi a frase doutrinária que passou a invocar o gosto simples e económico e adotada entre outros, pelo arquiteto Ludwig Mies Van der Rohe.

Villa Savoye

 

A admiração inicial dos arquitetos europeus pelas construções norte-americanas levou-os a resumir o mundo estilístico da arquitetura aos volumes e superfícies que Le Corbusier apresenta como características fundamentais da arquitetura da vanguarda europeia e que estão bem patentes na Villa Savoye.

Villa Savoye

Villa Savoye, zona de banhos.

Os grandes vãos, espaços abertos, fluidos e flexíveis a várias funções, são ocupados de tal modo que a sua forma denuncia a sua função, ou seja a superfície exterior reflete o interior, assim como, o interior provoca a definição dos volumes e superfícies exteriores.

Uma das caraterísticas da arquitetura do Movimento Moderno, é a possível ambivalência entre um estilo mais retórico e artístico que se inspira na máquina e na sua dinâmica operativa e performativa e, um maior pragmatismo e objetividade, que exploram os limites da prática arquitetónica.

Villa Savoye

Em 1918, Le Corbusier e o pintor Ozenfant fundaram o movimento purista, de derivação cubista, com o propósito de criar uma nova consciência de contemporaneidade, reduzindo a linguagem arquitetónica às leis elementares e à forma pura dos sólidos geométricos. Os autores reinterpretaram de um ponto de vista estético, os objetos de uso através de uma nova “sintaxe” fundamentada na teoria das proporções e propuseram a redução das figuras primárias à geometria elementar, como cubos, cilindros, esferas, prismas e pirâmides.

Villa Savoye

Pormenor da separação entre o exterior e o interior com destaque para a rampa que une os dois pisos.

Mais tarde e em 1920, criam a Revista L’Esprit Nouveau com P. Dermé. A temática da revista incluía a “estética mecânica” no contexto Arte-Produção. No manifesto da revista podia ler-se: “Ninguém nega hoje que a estética tem origem na indústria moderna. Cada vez mais, as construções industriais, as máquinas definem-se nas proporções, nos jogos de volumes e dos materiais, de tal modo que muitas delas são verdadeiras obras de arte, porque implicam o número, ou seja, a ordem (…) Nem os artistas nem os industriais se dão suficientemente conta disso: é na produção geral que se encontra o estilo de uma época, e não, como por vezes se julga, em alguma rara produção, feita com a finalidade decorativa, simples acréscimos supérfluos a uma estrutura que, só por si, deu vida aos estilos (…) Le Corbusier a propósito do Volume, dá como exemplo os Silos para Cereais e afirma “A arquitetura é o jogo sábio, correto e magnífico dos volumes sob a luz”.

Villa Savoye

Pátio exterior da Villa Savoye.

“Sem perseguir uma ideia arquitetural, porém simplesmente guiados pelos efeitos do cálculo (derivados dos princípios que geram nosso universo) e a conceção de Um Orgão Viável, os Engenheiros de hoje empregam elementos primários e, coordenando-os segundo regras, provocando em nós emoções arquiteturais, fazendo ressoar a obra humana com a ordem universal. Eis aqui silos e fábricas americanas, magníficas Primícias de novos tempos. Os Engenheiros Americanos Esmagam Com os Seus Cálculos a Arquitetura Agonizante” Le Corbusier. (2002) Por uma arquitectura, Ed. Perspectiva 6.ª edição.

Villa Savoye