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Curiosidades sobre Eduardo Souto de Moura na hora da consagração.

É recorrente ouvir falar da escola do Porto, Mestre /Discípulo, principalmente quando ouvimos falar de mais um prémio de arquitetura internacional, o mais recente galardão atribuído a Eduardo Souto de Moura na Bienal de Arquitetura de Veneza, o Leão de Ouro. No entanto Álvaro Siza e Souto de Moura sempre o negaram. Preferem valorizar as diferenças e avaliar a contribuição que os arquitetos dão às obras uns dos outros.

Foi exatamente isto que aconteceu nesta pequena habitação localizada na zona da Foz, na cidade do Porto. Ainda durante a construção os comentários de Álvaro Siza numa visita efetuada a convite de Souto de Moura, provocaram uma grande dor de cabeça ao construtor. Segundo Tiago, filho do proprietário, existe uma grande cumplicidade entre os dois arquitetos.

Foi precisamente em sequência de um comentário de Álvaro Siza ainda durante a obra, que Souto de Moura decidiu alterar o posicionamento de um dos vãos de janela da fachada. Precisamente o quarto de casal, reposicionando-o em frente a uma árvore que ali já existia. Esta é verdadeiramente a escola do Porto. Um trabalho crítico que proporciona um debate intenso e uma evolução a partir do conhecimento e sensibilidade de cada um.

Piso 2. Vista a partir do corredor interior fazendo a ditribuição para o jardim interior e também para os quartos (Pormenor das portas sem aros- mesma leitura entre pavimento e teto)

A casa na Foz é caraterizada por uma composição extremamente racionalista. Souto de Moura partiu de um terreno onde anteriormente estava uma casa velha e decidiu criar uma casa nova. Mas, a configuração do terreno, o antigo poço e um velho caminho, foram o “génio loci” que determinaram as opções formais de casa. No exterior, a porta da garagem denuncia a direção do antigo caminho que levava ao poço. Uma vez no interior, somos confrontados com uma poética que nos remete claramente para um “Mies”, uma escada apoiada sobre uma viga metálica com os degraus encostados à parede e que parece não ter qualquer sustentação, é um convite a subir ao primeiro andar, à zona principal da casa.

Vão de escada entre piso 1 e piso 2.

Sobre o piso de entrada, que se destina à garagem, casa de banho, zona de lavagens e a um pequeno escritório, está a cozinha e uma sala em contato direto com o exterior. Aqui, um jogo de transições provocado pelo escalonamento deste espaço exterior, mostra a vertente mais “Miessiana” de Souto de Moura. Um enorme vão de janela dá acesso a um estrado sobrelevado que por sua vez está em contato com o jardim.

Utilização da pedra Azulino Cascais.

Este espaço de grande pureza formal e ao mesmo tempo expressivo pela relação entre os materiais, apresenta uma pedra Azulino Cascais, que contrasta com o estrado de madeira e ” projeta” a cozinha no exterior.

Jardim que se encontra nas traseiras com estrado intermédio entre relvado e acesso ao interior da casa.

No jardim escalonado, uma pequena plataforma de betão armado descofrado ao natural, permite um ambiente recolhido, onde uma mesa exterior cumpre a sua função, independentemente da relva estar húmida ou mesmo molhada. É também a diferença de cota, que permite elevar o primeiro piso a uma altura suficiente para que a luz entre no pequeno escritório do piso interior. Já o segundo andar, destaca-se pelo pátio interior, aberto ao corredor de acesso aos quartos e por onde entra também a luz natural. Este lugar de grande pureza espacial, torna-se místico. Um espaço, continuo onde não se percebe os acessos aos quartos, com reminiscências orientais. Aliás, um lugar sabiamente iluminado que se estende a todo o piso.

Piso 2. Casa de banho revestida a mármore.

Como é habitual na obra de Souto de Moura, as casas de banho são um lugar espacial, pelo fato de serem completamente revestidas a mármore. Na suite, o lavatório é uma peça em mármore, cilíndrica e escavada. Resumindo, a luz entra em praticamente em todos os espaços. Pequenas clarabóias permitem que todos os compartimentos, mesmo os vestuários possam ter luz natural. Vale a pena citar Le Corbusier, “a arquitetura é o magnifico jogo de volumes debaixo de luz”.

Vista da casa a partir do jardim.