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Casa Polima, Cascais

O projeto de uma moradia unifamiliar em Polima – Cascais, ocupa um lote com uma área total de 850,00 m2, identificado como área de Solo Urbana – Espaço Residencial pelo regulamento do PDM de Cascais. Todo o lote pertence à área classificada como Património Arqueológico nível 1 – Ordenamento património cultural pelo PDM de Cascais.  A poente do lote encontra-se uma moradia construída há 60 anos, composta por rés do chão com uma implantação de 70,00 m2, uma cobertura de telha de 4 águas e um logradouro a nascente, com 756,46 m2 onde se situa uma garagem de 23,54 m2.

A área envolvente à zona de intervenção faz parte da freguesia de São Domingos de Rana conforme PDM de Cascais e é caracterizada por um bairro edificado constituído por moradias unifamiliares de 2 pisos e seus respetivos logradouros.

A moradia de 1962 é uma construção que sofreu algumas alterações no decorrer dos anos, nomeadamente a alteração dos caixilhos, a construção de um alpendre no alçado poente e alterações meramente decorativas. O interior mantém, no essencial, o desenho original.

Relativamente à solução proposta para a ampliação da moradia, a mesma passará por criar um 2º piso. No piso térreo, propõe-se uma ampliação a norte de 11,50 m para a construção de caixa de escadas. A ampliação prevista assegura a altura máxima e o numero de pisos permitido acima da cota da soleira descrito no artigo 70º do PDM. Sem prejuízo da alteração da funcionalidade e tipologia do seu desenho original, mantêm-se os alinhamentos.

Para a ampliação da moradia, propõe-se uma composição volumétrica onde o princípio da ortogonalidade está bem vincado, a par dos planos simples e linhas escorreitas que favorecem uma linguagem arquitetónica contemporânea. Uma arquitetura composta por dois volumes, o existente e o ampliado, sendo que o volume do 2º piso tem um pequeno balanço em direção poente de modo a não interferir com o envolvente.

Propõe-se um espaço arquitetónico fluido, que permita aos seus utilizadores um uso orientado para uma utilização interior / exterior. Por esse motivo o volume arquitetónico do 2º piso está com a superfície correspondente às varandas em balanço na direção poente, de modo a permitir o uso de parte da cobertura do 1 piso a nascente e sul para varandas, sem que isso obrigue a demolição ou alteração total do edifício existente.

O volume do 2º piso com a cobertura inclinada a duas águas em telhas de zinco lacadas a branco, é uma referência à Casa Branca do Raul Lino (1879-1974), construída em 1920 nas Azenhas do Mar. A Casa Branca ou Casa do Marco, nas Azenhas do Mar, é uma residência de férias que Raul Lino construiu para seu próprio uso e carateriza-se pela estrutura simples que denota alguma austeridade tanto no espaço interior como na sua imagem exterior. Esta casa afirma os princípios do modelo formal da Casa Portuguesa, ao mesmo tempo que se despoja de todo os elementos ornamentais supérfluos. Mínima em adornos decorativos, anuncia um minimalismo formal em que Raul Lino acreditava.

A ideia subjacente ao projeto, foi criar uma arquitetura em que a forma denuncia a sua função, ou seja, a superfície exterior reflete o interior, assim como, o interior provoca a definição dos volumes e superfícies exteriores. Interpretou-se o espírito do Raul Lino nas Azenhas do Mar, com uma composição austera e minimal. Aproveitaram-se alguns vãos existentes e introduziram-se novos vãos mais generosos com superfícies envidraçadas, de modo a obter elevados índices de luminosidade no interior, proporcionando nos períodos mais quentes um espaço continuo entre o interior e o exterior, que anteriormente não existia.

O piso térreo ganha maior habitabilidade, com a criação de novos espaços destinados a sala de estar e de refeições. Ao nível do Piso 2, a ampliação, permitirá criar três quartos, um deles é uma “suite” com closet incorporado e uma instalação sanitária de apoio aos restantes quartos.

O interior do existente será também alterado, sendo que no Piso 1 serão demolidas poucas paredes não estruturais e será realizado um reforço estrutural com uma solução mista de pilares e vigas metálicas HEB. Todas as divisões mantêm-se com a mesma área, exceto a parede que dividia hall de entrada e a sala de estar, como também a parede mais a nascente que dividia a instalação sanitária do hall. Estas alterações tornam o espaço mais apelativo e habitacional. A atual casa de banho será substituída por uma nova a sul/nascente,  junto à sala de refeições e acessível a pessoas com mobilidade condicionada.

A moradia cumpre integralmente a legislação no que respeita ao acesso a pessoas com mobilidade reduzida, que podem aceder ao interior da habitação e posteriormente ao terraço (piscina) através da entrada principal – o hall de entrada.

Arquitetura: Nuno Ladeiro / Carmo Branco

Colaboração: Bárbara Raimundo / Dominika Wodeńko